ASSIS ESPORTE

Textos publicados no site esportivo: www.assisesporte.com.br


Quando a seleção deixou de ser brasileira


O ano era 2002 e eu estava no auge dos meus 11 anos. O dia era 30 de junho. No outro lado do planeta, Brasil e Alemanha disputavam a final da Copa do Mundo de Futebol. E por aqui, eu nem consegui dormir no dia anterior. A ansiedade saía pelos olhos.
Lembro bem: família reunida em volta da mesa do café, minutos antes da bola rolar. Depois, do início ao fim da partida, foi uma tensão, euforia, uma emoção de menino apaixonado pelo futebol, que via a seleção canarinho, tão reverenciada por meu pai e meu avô, levantar a taça de campeã do mundo. Para mim, era a primeira vez que o universo da bola estava pintado de verde e amarelo.
Em 94 meus três anos não me permitiram tal lembrança; 98 as memórias são vagas. Mas lembro de eu ser apresentado a Zidane. O auge foi mesmo no ano de 2002, vivendo Ronaldo, Rivaldo e companhia se tornarem os meus ídolos do esporte.
A partir disso, a seleção brasileira se afastou das minhas alegrias. Os motivos podem ser divididos. Talvez seja porquê, com o passar dos anos, fui me informando mais sobre o esporte, ouvindo opiniões de profissionais da área, e descobrindo fatos da principal entidade de nosso futebol, que não me dão vontade de torcer por seu principal produto.
Pode ser que um dos fundamentais argumentos que utilizarei ao explicar o meu distanciamento com a seleção tupiniquim seja o de que não a vejo mais por aqui, em seu território. Faz tempo que a assisto em amistosos pelo mundo a fora, jogando e ganhando dinheiro em bandas europeias e americanas.
A explicação também pode ser a de que não me encanto mais com os jogadores brasileiros, convocados para defender a amarelinha, mas que, muitas vezes, nem brasileiros de criação eles são. Os craques não são como os de antes. Os gênios não são mais brasileiros.
Na Copa do Mundo realizada em nosso país no ano passado eu torci pelo hexa. E, como todo o povo dessa nação, me decepcionei do começo ao fim da competição. E entendi que o final especificou o resultado não apenas de uma partida, mas de todas aquelas que perdemos durante essa década.
Percebi que o encanto acabou. Não pelo futebol, esporte esse que não é uma simples prática esportiva, mas ‘a melhor invenção do homem’, como diz Mauro Cézar Pereira, em sua poesia indisciplinada.
A fascinação se desfez, pois, a seleção não é mais do povo brasileiro, e sim de uma Confederação que há tempos não preza pela qualidade de nossa riqueza e que deteriora a história e o presente de nosso jogo, afastando de nós o rótulo que adoramos gritar por aí, o de ‘país do futebol’.
Ainda assim, afirmo que um jogo do Brasil sempre será bem visto em qualquer lugar, e eu irei torcer para a sua vitória, como amante do futebol e apaixonado pelo país. Mas, não vibrarei como fiz naquele domingo de 2002, onde a emoção de ver o pentacampeonato correu pelos meus olhos. E não irei tão cedo declarar novamente a minha admiração pela camisa verde e amarela.
Os tempos são outros, e hoje a seleção deixou de ser brasileira.

O eterno 7 a 1

Não foram apenas 7 bolas na rede e lágrimas caindo no chão. Rostos pintados de verde e amarelo se desmanchavam em pleno estádio Mineirão. Milhares de vozes tentavam explicar o inexplicável, centenas de mãos encontravam os olhos, se beliscavam, e procuravam de qualquer maneira acordar daquele pesadelo. Placar final: 7 a 1 para os alemães.
E a partir daí, como há tempos já deveria ser feito, os torcedores e sociedade começaram a questionar os verdadeiros valores e sentidos do esporte mais tradicional do país. Se percebeu rapidamente que esse não era mais o ‘País do Futebol’, como dirigentes e nacionalistas adoram rotular.
Não foi fácil levantar a cabeça e seguir em frente. Mas, de alguma maneira, o desastre nos deu perspectivas de que muita coisa em nosso futebol poderia mudar, ou ao menos ser repensada. O ano passou. A Copa do Mundo acabou. O campeonato brasileiro começou, do mesmo jeito. E...
É inegável: o futebol é reflexo de nossa sociedade. Antes de começar os jogos da Copa do Mundo, o país vivia uma onda de protestos, onde a população foi às ruas reivindicar algo a mais do que 20 centavos. Além disso, as construções de estádios que virariam (e viraram) elefantes brancos também revoltaram esse e aquele cidadão.
Era evidente que o fim seria trágico. Não poderíamos levantar o hexa. Não tínhamos como gritar ‘É CAMPEÃO’, com tantas derrotas fora das quatro linhas. Já passou, faz mais de um ano... O mundial ficou lá atrás. Mas o 7 a 1 ainda perdura por aqui.
Perdemos de goleada todos os dias. É 7 a 1 aqui e ali, em todo lugar.
Ainda vemos uma falta de estrutura assustadora em nosso campeonato mais importante. São estádios vazios, ingressos caros e um espetáculo cada vez mais prejudicado por erros de engravatados. Digo isso por conta do calendário desumano e dos últimos acontecimentos, como os erros de arbitragem, que evidenciaram o fraco gerenciamento de nosso futebol, prejudicando um modelo de esporte de excelência que vendíamos para o restante do mundo.
A situação é preocupante e vai de encontro a aquela que os cartolas pintam por aí. Não vivemos às mil maravilhas, longe disso. Por aqui muito ainda deve ser mudado. 
O alento é que o Brasil ainda tem um produto rico e eficiente em mãos e nos pés... 
Ainda dá para virar esse jogo.

A cidade ainda respira o Basquete

Nos jogos do Vocem/Basquete de Assis, o Ginásio Municipal de Esportes Jairo Ferreira dos Santos ‘Jairão’, está recebendo um grande público, em partidas válidas pelo Campeonato Paulista.
E é exatamente a presença de um bom público no local, em qualquer dia da semana, que chama a atenção. A torcida acompanha com muito entusiasmo o confronto, relembrando aos mais otimistas e saudosistas, os grandes momentos do Basquetebol assisense. Esporte esse que ficou no mínimo esquecido por algum tempo, mas que mesmo assim não deixou de ser a principal paixão de muitos assisenses, o que se comprova novamente no decorrer deste campeonato.
O grande desafio dos jogadores, técnicos e dirigentes do time assisense não é apenas buscar o acesso de divisão e levar o nome da cidade aos campeonatos nacionais mais disputados da modalidade, mas também é preservar esse sentimento de torcida em toda a cidade, elevando novamente a afirmação de que Assis respira o Basquetebol.
As partidas são demonstrações concretas da necessidade que os torcedores de Assis tinham com o retorno de grandes jogos do basquete de Assis. Talvez seja a hora de inciativas públicas e privadas também entenderem que esse esporte sempre foi referência no município e trabalharem em conjunto para que ele não seja deixado de lado em nenhum momento.

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Obrigado, volte sempre att.Kallil Dib