14 de jun de 2016

Da morte à esperança



Foi em Orlando, Estados Unidos, que um atirador matou 50 pessoas em uma boate gay. Foi no Rio de Janeiro, Brasil, que uma jovem de 16 anos foi estuprada por 30 homens. E em Tarumã, São Paulo, uma mulher jogou seu filho recém-nascido em uma caçamba, foi trabalhar e o bebê morreu. Etc, etc.
As notícias que fizeram parte das manchetes nos últimos meses me dão agonia! É difícil acreditar. Mais complicado ainda é entender. O que será que está acontecendo? Tudo isso é reflexo do quê? Um espelho quebrado de uma humanidade hipócrita. Sem perdão, educação, paciência!
O Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque na boate de Orlando e disse, barbaramente, em nota, que "Deus permitiu atacar os imundos cruzados (...)" e destacou que esse atentado é "o maior registrado nos EUA pelo número de mortos". Colocam o nome de Deus em tudo e desculpam atos como esse como uma missão a ser cumprida.
As mortes na boate foram o estopim da intolerância deste mundo perdido. São casos assim que chamam a atenção da humanidade, mas que se equiparam e deveriam ser tão revoltantes quanto as manchetes que destacam os gays espancados em colégios, avenidas, ruas. A adversidade não se justifica.
Disseram que a culpa pelo estupro no Rio de Janeiro foi da própria vítima. Ela usava roupas curtas, frequentava bailes funks, namorava “gente que não presta”. A culpa, na verdade, é de quem tem essa opinião! Qualquer mulher deste mundo tem o direito de usar a roupa que quiser e isso não quer dizer, caros, que ela está pedindo para ser xingada, assediada, humilhada, estuprada.
O bebê encontrado na caçamba foi socorrido, mas morreu antes de chegar ao hospital. Tinha acabado de nascer. Ele sentia frio. Estava estranho, o mundo que prometia ser belo agora era um monte de lixo. A voz da mãe desonrosa, que ele tinha ouvido como um ruído protetor nos últimos nove meses, se distanciou, não voltou.
Aquela criança acordou para um universo desonesto. Viveria em um monte de desgraça, iria chorar de fome e implorar por amor. Nasceu para um mundo onde a intolerância ainda prospera e a violência tem vez. Aquele bebê morreu. As 50 pessoas de Orlando morreram. A dignidade da criança de 16 anos violentada, morreu.
É tudo estranho. É o reflexo do espelho quebrado dessa sociedade feita por hipócritas.