9 de jan de 2015

Existem pessoas que são poesias

Não desconverso quando me perguntam o que acho de ser um escritor. Primeiro eu penso: será mesmo que este título me cabe, das linhas das mãos às do caderno? E respondo simploriamente: poesia.
Eu vi uma pessoa que não desistiu de ser feliz, e com todas aquelas pedras que apareceram em seu caminho, construiu um lindo castelo, onde hoje mora a alegria e a inteligência de um homem que soube dar valor às lágrimas. Essa pessoa é poesia.
Também me lembrei daquele Senhor que todos os dias pela manhã abria os olhos, agradecia aos céus, e no retrato envelhecido de sua amada, colocado ao lado da sua cama vazia, deixava um longo beijo, cheio de ternura. Dizendo ainda que espera ansioso ter de volta o teu sorriso. Esse velho é poesia!
Uma poesia desenfreada se apodera de todos aqueles que não cessam de vontade de enxergar que o seu vizinho merece um bom dia, e o padeiro também, assim como o garçom merece um obrigado, e aquela idosa que carrega sacolas de mercado, precisa de ajuda.
Alentos se espalham entre indivíduos que enxergam que as mudanças dependem de cada um de nós, e também sobre aqueles que confiam em seus sonhos, mesmo que o mundo tente te acordar.
A poesia é uma criança, que mesmo sem falar ou tentar se entender, transforma a rotina de marmanjos desgraçados com a vida que levava. As crianças são poesias do futuro e do presente.
Existem poesias feitas com um segundo de educação. Ou com uma vida inteira de sorrisos.
 Existem pessoas que, simplesmente, são poesias!