21 de out de 2014

A história do menino que queria ser lixeiro



Todos os dias, às 18 horas, passava pela rua de terra daquele bairro afastado o Caminhão de Lixo, fazendo um barulho que se ouvia do outro lado da vila. A dona de casa saia correndo com as sacolas nas mãos, e colocava no portão da casa, ou na esquina da rua, aqueles sacos fedidos. Dali a pouco passavam os homens em cima do caminhão, pegando tudo o que ali estava jogado.
Tinha um menino, menino pequeno de pernas magrelas e de sonhos de gente grande. Ele ficava encantado com todo aquele furdunço que no final da tarde se acontecia no bairro. Ficava cativado com aqueles homens em cima do caminhão, que detinham o poder de dez minutos depois das seis, deixar toda a rua limpinha.
Certo dia o moleque resolveu imitar os seus heróis da limpeza. Pegou duas almofadas, que mais pareciam com sacos de lixo; subiu no armário da sala, que mais parecia um caminhão, e fazia um barulho com a boca igual ao do motor daquele carro grande. Era a sua melhor brincadeira.
Enquanto fazia isso, a molecada vizinha batia bola na rua. Dois times formados, e os sem camisa foram campeões. Mas, brincar no caminhão de lixo era mais legal, muito mais interessante! E o menino, com toda sua inocência de criança, dizia a quem quisesse ouvir que aquela era a brincadeira de seus sonhos...
E o pior, ele não entendia o porquê tantas pessoas davam risada quando ele falava sobre suas pretensões. Afinal, ser lixeiro é tão digno: eles limpam, reciclam, e deixam qualquer cidade mais bonita. Mas, quando um amigo seu gritava que no futuro gostaria de ser jogador de futebol, os adultos todos aplaudiam. Não há de se entender!
Certa tarde, em um de seus jeitos de criança curiosa, conversou com aquele gari que limpava a rua de cima. E o garoto, que queria ser lixeiro, desistiu.
O homem de roupas reluzentes e boné na cabeça, que tinha o rosto cansado, com marcas do tempo, que tinha as mãos calejadas e o olhar despretensioso, mas que continha um sorriso mais brilhante do que o imensurável valor de sua profissão, disse boas verdades de realidade àquele menino.
Ele disse que depois de décadas e décadas de profissão, ainda não se acostumou com o preconceito. Não falou nada de sua cor. Mas, o preconceito das pessoas que não têm qualquer tipo de respeito com o ambiente onde vivem. Jogam na rua qualquer coisa. E pensam que a cidade é um imenso lixo.
O homem contou ao menino um pouco dos valores de sua profissão. E disse dos percalços e dos lixos humanos que se encontra no meio dos sacos pretos. Lembrou que trabalha para sustentar sua família, e que recebe pouco mais de um salário mínimo. Que enfrenta todos os dias a dura batalha de pegar do chão o papel de bala que o playboy jogou. E ainda ser avacalhado pelo motorista do carro da moda, que pede licença enquanto o gari limpa a rua que ele sujou.
E as ruas limpas iam ficando ainda mais limpas. Os lixeiros mudavam de rostos semanas em semanas. Os anos passavam.  As ruas limpas iam sendo ainda mais limpas. Passaram as estações; as páginas do livro; as ilusões do garoto...
O menino não entendeu nada mais, ficou perplexo. Percebeu que as almofadas não eram sacos de lixos, e que o armário não fazia barulho nenhum. Alias, o garoto aprendeu mais do que isso: ficou sabendo desde cedo o tamanho da desigualdade desse mundo, e continuou a ver o jogador de bola receber milhões, enquanto o gari luta para sobreviver.
E então, foi viver outro sonho...

Os anjos



Quem são os Anjos que me dominam? Onde estão seu tempo, suas invejas e emoções. Quem são os Anjos que fazem dessa terra um lugar para se viver. Minha luz e proteção, meu Anjo.
Eles, que são mensageiros de Deus, iluminam o nosso caminho. Mostram lá no final a luz que tanto faltava. “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou, a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa e me ilumina.” Amém!
São crianças, disfarçadas de Anjos, ou vice-versa. Mas, onde estão todos estes protetores de mim mesmo? Quando peço a eles que olhem para o lado, que levem minhas preces até Deus Pai, às vezes eles não me escutam. Pedi que eles acabassem com esse mundo ao contrário. Não consegui.
Descobri porque os Anjos não me ouviram. Eles desistiram. Estão lá fora, brincando de fazer brincar. Pulam corda, brincam no balanço, na gangorra, de pega-pega, pique esconde, e sorriem como se nada nesse mundo pudesse ainda ser iluminado.
No terreno das lendas que já vi e vivi, os Anjos estão disfarçados. Eles são o céu e o sol, o sorriso e a lágrima. Santo Anjo do Senhor. Parem um pouco com essa brincadeira. Saem do quintal, voltem para dentro de mim, e me escutem.
Vi, ontem, uma chacina que matou jovens sem qualquer motivo; eu vi o pai brigar com a mãe, o filho sair de casa. Vi por esses dias que a mulher grávida perdeu a vida, o seu marido a aniquilou. Anjos, sentem aqui e prestem atenção: eu vi crianças, como vocês, vendendo drogas, e vi no semáforo dessa cidade, outros meninos oferecendo balas. Não era para eles estarem ali. Eu estou vendo tantas e tantas barbáries.
Os Anjos, através de Renato Russo, me responderam: “Hoje não dá. Hoje não dá. Está um dia tão bonito lá fora e eu quero brincar. Mas hoje não dá. Hoje não dá. Vou consertar a minha asa quebrada e descansar”.
E assim, sem tendências, sem melhoras. Eu vejo no mundo daqui pra frente um enorme descaso. Um desafeto sobre-humano. Não temos as perspectivas que tínhamos na época de meus avós. Tenho medo! Medo de colocar meu filho nesse universo louco, ouvindo as canções da moda e se interessando pelos vícios da moda. Ah, essa juventude, que nem acredita nos Anjos...
Sentei-me para ouvir a resposta plausível que aqueles cabelinhos encaracolados me diziam. E cantaram, através de Renato:
“Gostaria de não saber destes crimes atrozes, é todo dia agora e o que vamos fazer? Quero voar pra bem longe, mas hoje não dá, não sei o que pensar e nem o que dizer. Só nos sobrou do amor, a falta que ficou”.

23 de set de 2014

Crônica de uma morte anunciada




O título deste texto é o mesmo de um livro do autor colombiano Gabriel Garcia Márquez, onde ele relata em uma reconstrução jornalística, o último dia de vida de Santiago, num quebra-cabeças envolvente cujas peças vão se encaixando pouco a pouco através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas ao protagonista.
Imitei o título, pois, trato aqui de um assunto infame e delicado, que literariamente poderia se extinguir, ou poderia ao menos se entender, em uma crônica jornalística ou em uma falácia literária. Em sua obra, Gabriel fez.
Disse que nos anunciaram a morte desde o dia do nascimento, e mesmo assim não aprendemos a lhe dar com ela. Antes da vida ter início, nós sabemos o seu final. E durante este caminho, o que cabe a nós é aproveita-la da melhor maneira possível. Juntar todas as pedras que encontrarmos, e com elas construir um castelo. Ainda lembro de Machado de Assis, e tento entender essa lástima da vida: “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!”
Mas, pergunto ao meu Deus, o mesmo de todos nós, e no meu questionamento, lembro-me de Renato Russo, que diz “É tão estranho, os bons morrem jovens”. Digo isso porque os bons e os jovens estão indo embora daqui, tão cedo que não nos da a chance de argumentar, e achar alguma explicação.
Partem desse mundo, chegam ao final de seus caminhos, sem mesmo querer. Acidentes, acasos, mortes não anunciadas, suicídios. É mesmo, tão estranho. Os noticiários nos confirmam o caos, e nos faz refletir sobre a vida.
Quem me dera se ainda pudesse dizer, em um segundo de conselheiro, às pessoas que partiram em momentos de loucura, eu citaria Mário Quintana: “Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!”. Que triste as vidas senão as amarguras. Feliz, na verdade, é aquele que já teve a glória de chorar.
Não faço de meus dias, dias para se espelhar. Mas, como o mendigo da rua, eu tenho a minha história e sigo o caminho que escolhi. Não sei se o que faço é merecedor de algum lugar melhor, mas eu me atrevo a dizer que sou digno da vida que me foi dada. Eu a vivo intensamente, fortemente, literariamente. Mas, não sei o que me espera neste próximo segundo.
Assim como não sabiam as pessoas que se foram, em fatos noticiados nos últimos dias. Como o estudante que se afogou, o ciclista atropelado, a jovem e o delegado que se mataram, o trabalhador que foi assassinado, e tantos outros casos por aí. Não há de se entender. Nem a música mais bela ou a crônica escolhida. Nada há para decifrar. Mas, para viver bem, não pense na resposta. O final já foi anunciado.
A verdade é que pra mim o mundo seria todo ao contrário: os amores não habitariam o coração, pois um dia ele para. Por mim, os amores viveriam em almas, pois elas são eternas. Alias, quem disse que amores inacabáveis não existem? Basta admirar a chuva, antes de se encantar com o arco-íris.
Pense nisso!

21 de ago de 2014

Minhas viagens em busca da sabedoria



Ao ler um bom livro no final da noite de todos os dias atrás, percebi que eu estava em outro lugar, que não era mais tão familiar quanto meu quarto. Eu estava longe. Lá pra lá de outro mundo. Perto de onde Zezinho estava ao apaixonar-se por Mônica, sua paixão desiludida. Eu estava próximo a eles no maravilhoso “Procurando Mônica” de José Trajano.
E depois de conhecer de cabo a rabo a história desses dois personagens, pulei pra outro canto e conheci outros papéis. Vi, então, uma rua escura, daquelas de dar medo em qualquer mocinha.
Nesta rua, estava parado, num canto escondido, o francês Jean-Baptiste Grenouille, um cara maluco e galanteador, que conta com uma imensa sensibilidade olfativa e parte em busca da essência perfeita, do perfume que lhe falta para seduzir e dominar qualquer pessoa. Grenouille é de dar medo, e vontade de conhecê-lo. Foi isso o que senti ao ler “O perfume, a história de um assassino” de Patrick Süskind.
Em algum desses dias me encontrei nas linhas que Brás Cubas decidiu narrar suas memórias, após a sua morte, e me vi diante dos comportamentos individuais e sociais de tempos atrás. Tudo genialmente explicado por Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Quanta coisa boa tem em sua obra!
Cada coisa divina que conseguimos encontrar também em outros tantos autores. Sabedores do caminho que nos leva à sabedoria, o livro. Esse mundo ta cheio de bons autores, e também cheio de gente desinteressada em suas obras. Eu não ligo para essas pessoas!
Então, abri o espetacular “Capitães da Areia” de Jorge Amado, que me fez voltar lá para os anos 30, e conhecer um grupo de menores abandonados, ambientados em Salvador, que me remeteram a algumas das mais incríveis aventuras que já encontrei em um livro. Obra de arte!
Ufa! Quanta coisa boa em um só texto! Parece até um dos livros que li há tantos dias atrás. Então, me recordo de “O céu é de verdade”, um livro contemporâneo, do americano Todd Burpo, que relata, de maneira emocionante, a experiência que teve com seu filho, ao ver a criança quase falecer, e dias depois ilustrar ao pai o que havia visto no céu, em seu tempo de internação. Relato tão espontâneo e inocente como apenas uma criança consegue fazer.
E para quem me perguntar sobre as viagens mais lindas e inesquecíveis que já fiz, eu citarei algumas, e não me esquecerei das minhas ilustres companhias, como as de Paulo Coelho, Fernando Veríssimo, Felipe Pena, Rubem Braga, Moacyr Scliar e o meu favorito, Gabriel Garcia Márquez.
Alias, falando em ilustres e em companhias, não poderia me esquecer do tão admirável conselho que o mestre Mário Quintana me deu em “Para viver com poesia”, uma reunião de seus melhores poemas, quando ele disse: “Dupla delícia, o livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado”.
Então, eu sigo o conselho do mestre. E sigo minha viagem, para onde qualquer livro deseja me levar.

12 de ago de 2014

Rugas



Há alguns dias conversei com amigos sobre o assunto “velhice”.  Dissemos que nos custa a nos acostumarmos com o tempo que passa depressa, sem pedir licença. Tempo que deixa suas marcas e desafios, e ainda lembranças de uma vida bem vivida. E então, nos perguntamos: como será de ser a nossa velhice? Não sei!
Desenterrei algumas fotos que estavam guardadas dentro da gaveta da estante velha da sala. Algumas delas, empoeiradas, me faziam espirrar, e todas elas me trouxeram recordações tristes e felizes. Sinceras e esquecidas. De todas elas, recordações. Algum tipo de lembrança.
Comecei a reparar nos personagens daquelas fotografias. E percebi que o tempo voa mesmo. E para todo mundo, não pergunta a sua classe social, ou seu time de coração, ele apenas passa, corre.
Algumas daquelas pessoas que encontrei na caixa de fotografias já partiram dessa vida. Outras partiram da minha vida. E muitas delas ficaram, e envelheceram comigo. Ao ver fotos da minha infância, ao lado de meus falecidos avós, e algumas no colo aconchegante de meus pais, eu sorri por não ter nada a fazer. As lembranças foram minhas amigas. Minha infância foi cheia de amor familiar (o melhor de todos).
Enfim, voltei a me dedicar a analise dos rostos daquelas pessoas. E me abismei ao comparar a pele macia de minha mãe, que ainda continha linhas tênues de expressão, definindo suas bochechas rosadas de maçã.
Me assustei, pois as linhas tênues cresceram. E por mais que ela lute com o tempo, como toda mulher vaidosa faz, minha mãe envelheceu. Suas mãos estão calejadas. Seus olhos cansados. Seu sorriso ainda é encantador, mas, não ilumina o mundo inteiro como fazia antigamente. O tempo passou. O tempo passa para qualquer um, não se preocupe mãe. Eu já tenho barbas.
Chico Buarque, por exemplo, galanteador em sua época, com seus olhos de poeta e palavras de namorador, está velho. Mentes brilhantes também envelhecem. E suas marcas de expressão são tão evidentes quanto os seus sinais de cansaço. Para ele o tempo também passou.
Não me imagino, ainda, na posição de avô. Mas espero que minha idade avançada evidencie apenas sinais de experiência, e eu deixe por onde eu passar algumas garantias de felicidade e lembranças.
Acredito que a velhice é coisa da nossa cabeça, mãos, pés, joelhos, braços... O tempo passa, nada por aqui é eterno. Fotos talvez sejam eternas, e não evidenciam as inevitáveis marcas que o tempo deixou.

10 de jul de 2014

Nota de falecimento


A vida que transforma outra vida, que modifica outra vida, que faz de uma alma se unir a outra alma. A vida que se refaz, pois, outra história se completou a ela. E o destino, pintado, modulado, destino completo, de sonhos e de histórias. A vida que se é para viver. A vida sem insegurança. A vida de lembranças. A vida que viemos para conhecer, para sorrir. Faleceu!
Essa vida, aquela da Bíblia, que Deus nos ofertou, não está mais aqui. É forte, é contundente, é imoral pensar nessa afirmação. Mas, a vida sim, faleceu. Há tempos, quando duvidaram, quando não quiseram mais sorrir, a vida morreu.
A vida morreu e levou com ela a moralidade. As crianças não são mais as mesmas, elas não brincam mais na terra. Não querem mais saber das bolinhas de gude e do carrinho de madeira, que na minha época fazia mais sucesso do que aquele de controle remoto. A vida faleceu. O antigo se esqueceu.
Os desenhos são outros. Não tem mais o gato e o rato e nem o pássaro de bico amarelo. Agora é outro divertimento, e desenhos são mais reais do que nós mesmos. E seus personagens têm mais sentimentos do que sua pequena plateia.
A vida faleceu! E levou com ela as coisas que ainda me faziam acreditar em sua melhora. Os pais não podem educar como querem. Relar a mão brava no seu filho desobediente e deixar uma marca de respeito e educação, não pode mais, foi proibido. Agora, os pais devem falar, devem gritar, espernear, e talvez assim, os seus filhos os respeitam.
Faleceu a vida quando eu vi que o dinheiro é mais importante que a felicidade, e descobri gente que vende a sua alegria por migalhas de milhões de reais, apenas para se impor diante da sociedade burguesa e consumista. As belezas naturais estão indo embora, e as belezas de nossa gente estão indo com elas.
A vida faleceu. Disse adeus àquelas pessoas que esperam vagas em hospitais e dependem do governo para que um profissional diga a ela que está tudo bem, enquanto isso essa pessoa morre, desesperada por respostas que a conforte.
Não vejo mais os artistas se expressando sem medo de errar. O erro virou vilão, o acerto virou qualidade. Conheci pessoas que sempre desejam vitória, e perdem a honra e a glória de chorar. Olha lá... A vida se desfez.

Mas há uma esperança para termos a vida de volta. Pois, cientistas malucos e perseverantes descobriram uma mirabolante fórmula para que a vida ressuscite e volte para nunca mais morrer. Os cientistas são desejos incontroláveis de mudança, que aparecem para aqueles indivíduos que sabem sonhar, e mais ainda para outros sujeitos que não conhecem o amargo sabor do impossível e saboreiam o doce gosto de sempre buscar a vitória em suas vidas.

21 de mai de 2014

Entre outras coisas, coisas de Deus



Cientistas tentam explicar o caso do operário Eduardo Leite, que trabalhava na construção de um prédio, na zona sul do Rio, onde ele foi atingido por um vergalhão, que caiu do quinto andar, despencando por quinze metros de altura. Na hora do acidente, o homem estava no térreo e de capacete. O impacto foi grande. Um peso equivalente a 300 quilos caiu sobre a cabeça de Eduardo que teve o seu crânio perfurado.
De acordo com os médicos, o operário teve muita sorte de sobreviver sem sequelas. Sorte? Ainda segundo os clínicos, se o vergalhão tivesse entrado um centímetro para trás, o pedreiro teria perdido os movimentos do lado esquerdo do corpo. Agora, Eduardo virou caso de pesquisa da medicina, onde cientistas tentam desesperadamente entender o porquê ele sobreviveu e sem qualquer sequela.
Cientistas e pesquisadores esses que não acreditam em milagres, em anjos da guarda, em destino de Deus. O operário virou celebridade, mudou de vida, por sua vida ainda não ter chegado ao fim. Hoje, ele está em outro país passando por uma série de exames que tentam detectar o porquê ele ainda está vivo.
Todos esses exames ignoram a parte mais importante da vida de um homem: a fé em um Ser superior. O acreditar em Deus. O destino com suas divinas providências. Eduardo não sofreu sequelas, não morreu como era de se esperar. O acidente foi gravíssimo, o milagre foi maior.
E entre outras coisas que acontecem todos os dias, coisas que são motivos de espantos e pesquisas, os fatos são ignorados por anjos e milagres. Não adianta procurar, exames e máquinas mirabolantes feitas por cientistas, não detectarão a força de Deus e a providência do destino de cada ser humano.
Como o caso do operário outros acontecem em todos os cantos. A divindade é ignorada, não pode ser! Deus sabe o que faz. Pois, para conhecer Deus não é preciso morrer. Para dar valor à vida, não é preciso sofrer.

Entre tantas coisas desse mundo, tantas e tantas outras coisas erradas e desumanas, acontecem sempre coisas de Deus. Todo dia é dia de viver feliz, o triste não entende que a sua maior conquista, o maior milagre da sua vida, é abrir os olhos todos os dias.

29 de abr de 2014

Ninguém aqui é macaco!



Em um jogo de futebol válido pelo Campeonato Espanhol, realizado no domingo, 27 de abril, o jogador brasileiro Daniel Alves, baiano bom de bola e negro, foi vítima de racismo por parte de torcedores que estavam na arquibancada do estádio.
Em um ato possivelmente calculado, uma pessoa jogou uma banana em direção ao jogador do Barcelona, que prontamente respondeu e, ironicamente, descascou e comeu a fruta. Dani Alves sentiu na pele o que as pessoas negras, esportistas ou não, sofrem diariamente. A banana jogada pelo torcedor reflete a uma provocação racial secular, onde a fruta representa a retratação da pessoa negra como um ser irracional, um animal, um ser excluído da sociedade.
Mal sabia Daniel Alves que o seu ato naquele momento desencadearia uma grande repercussão, em uma bandeira levantada pelo também jogador, e também negro, Neymar. O astro brasileiro colocou em sua rede social algo como “#Somostodosmacacos e daí?”, o que gerou uma série de protestos espalhados pelo país, onde além de esportistas, cantores, atores e até jornalistas, aderiram à frase de Neymar e compartilharam por todo canto fotos e mensagens exaltando o “macaco” e comendo uma banana. Que bobagem fez Neymar!
O ato irônico do jogador Daniel ao comer a banana (melhor do que muitos protestos por aí), não quer dizer que ele é um animal. Comer a banana em forma de protesto não faz de Daniel um macaco, e de ninguém! Não é de hoje que ouço e leio insultos racistas espalhados pelo mundo, onde, a imagem, os sons e os sinônimos de macacos, referem-se às pessoas negras, insultando-as e, excluindo o povo negro da sociedade racional.
Ninguém aqui é macaco, Neymar, e povo brasileiro! É claro que entendo o protesto, e sou capaz de ir até o cume da sociedade para levantar a bandeira da igualdade, mas não ouso a comparar qualquer ser humano ao macaco, e, assim, abaixar a cabeça ao preconceito.
A repercussão do que aconteceu no jogo de futebol foi tão grande por conta da visibilidade que tem o jogador brasileiro, assim como a reação incomum que ele tomou, que mais uma vez ressalto os meus parabéns. Mas, essa atitude não minimizou o grave problema que a humanidade enfrenta e muito menos livrou os agressores de uma punição adequada.
A campanha encabeçada por Neymar é infeliz! Não venha dizer que viemos dos macacos, ou então, que a mensagem também foi em tom de ironia. Ninguém aqui é macaco, não! E todo mundo deveria saber que o grande problema é que historicamente as pessoas negras foram e ainda são tratadas como animais. Ninguém é macaco!
E quem protestará? E quem irá reverenciar os Heróis negros. Heróis da nação. E quem dirá que é macaco, ser irracional, os grandes nomes dessa gente, e quem diga a Gilberto Gil, Nelson Mandela, Pelé e Zumbi dos Palmares. E quem irá dizer ao mundo os pensamentos do “poeta dos Escravos”, Castro Alves. E tantos negros que orgulham a qualquer raça.
A luta anti-racista precisa de muito mais do que fotos com bananas e mensagens referentes a macacos! Acho que ninguém entendeu o que realmente aconteceu no campo do jogo de futebol. E acredito que falta muito para se entender sobre o racismo. É assustador e alarmante a frequência desse tipo de violência nos noticiários.

Não, ninguém aqui é macaco! Avisem a essa gente que apenas quer se promover baseados nesse grave problema social. Brancos, pardos, negros ou não, ninguém aqui é macaco, somos todos racionais, seres da mesma massa, da mesma razão. Somos todos iguais! Ninguém aqui é macaco!

26 de mar de 2014

O contador de histórias



Em histórias contadas a gente muda o mundo. Muda as pessoas que aparecem lá e muda até as flores que se destacam nos jardins. Colocamos cores nelas, muitas cores. E as regamos conforme a nossa paciência. As flores, nas histórias, têm vida eterna e são comparadas com sentimentos, também eternos. Tudo muda com o poder de uma história.

Como aconteceu certa vez com o Senhor de terno e gravata que morava trancafiado dentro de sua enorme casa, cercada de seguranças por todos os cantos. O homem era muito sério e não dava bom dia nem ao motorista. Era sozinho, ou melhor, era casado com seu trabalho.

Ali ao lado se encontrava um garoto sonhador, metido a sabichão. Ele ficava admirado pelo tamanho daquela casa, e mais fascinado por nunca ter visto nem sequer o rosto do morador da tal mansão. Certa vez, em sua escola, uma das atividades sugeridas pela professora era descrever em detalhes o teu vizinho. O garoto nem pestanejou. E começou a escrever uma história contando em detalhes como era a vida de seu vizinho.

Mas como escrever uma história contando realmente como eram os passos do morador daquele casarão, se nem sequer passos ele dava? A imaginação do contador de histórias se aflorou, e por incrível que pareça o tal vizinho ganhou uma vida que ele sempre sonhou em ter.

O menino resolveu colocar uma cópia de sua história na caixa de correio do vizinho, com a esperança de que ele, ao ler a fábula, compreendesse o que aquelas palavras queriam dizer. O Senhor leu o que o garoto havia escrito. Então, a partir deste dia, resolveu pelo menos conhecer a sua vizinhança.

A história descrita pelo garoto dizia:
“Meu vizinho é legal, e sempre conversamos quando eu tenho tempo. Ele está sempre cercado de amigos que andam de preto, e aparece toda manhã com um sorriso no rosto andando pelas ruas do bairro. O meu vizinho me conta as suas peripécias de quando era criança e é um bom contador de histórias. Meu vizinho compra pão toda manhã e se estiver quentinho, ele da um trocado ao padeiro. Meu vizinho é legal... Mas às vezes eu acho ele meio calado, deve ser porque ele nunca leu uma história que valesse a pena.Pode ser porque ele ainda não recebeu um abraço sincero, ou talvez ele nunca regou as flores do seu jardim”.

Ao corrigir a redação do menino, a professora, que sabia onde o garoto morava e conhecia bem o homem que vivia naquela mansão, rabiscou a folha com os dizeres: “nota 10 pela imaginação...” e completou: “melhorar a letra”.

13 de mar de 2014

Palavras inéditas



Eu te procuro em meus versos
Não te encontro
Eu não vejo você em meus olhos
Não te cerco em meus dias
E te busco em solidão
Apenas sei dizer-te tudo o que desejas ouvir
E eu te amarei até os meus dias se despirem
Te encontrarei em qualquer desatino
Farei de ti a minha persistência
O meu acaso, e minhas vitórias

Tudo o que permanecer em minha vida será teu
Nem as minhas sinceridades te afligirão
Estarei em teus sonhos
Sempre
Sucessivamente
E serás o motivo de minhas sinceras palavras incomuns.

5 de mar de 2014

RITOS DE ADEUS




Sei que as pessoas boas se despedem antes de irem embora desse mundo. E de diversas maneiras elas dizem adeus aos mais próximos, e às flores do jardim e leem mais uma vez os seus livros favoritos. Talvez uma visita inesperada, um telefonema ou palavras de carinho no meio do dia se transformam em mensagens subliminares algum tempo depois. O fato é que as pessoas boas se despedem dessa vida, e sem saber.

Um sorriso valerá uma passagem só de ida e um olhar irá transformar os dois lados em um só. Quero apenas adormecer. Sincera e honestamente: adormecer em paz. E quem não quer? Pensamento positivo antes da vida se desfazer.

Nesse mundo o nosso único propósito é de ser feliz. É viver bem e em plenitude com a alegria. Assim, de diversas maneiras deixamos passar intermináveis minutos de nossos dias, chorando por aquilo que passou, ou com pensamentos negativos, que acabam se tornando reais, quando vingados com muita energia. Deixe a negatividade ir embora!

A vida não espera por você, ela passa e nem se preocupa em voltar, ela não vai voltar. É por isso que devemos ter a prioridade de ser feliz, pois, viver uma vida sem gozar a felicidade, é a mesma coisa que amar e não ser amado: não tem sentido.
Cheguei a uma conclusão, com meus pensamentos que podem ser um tanto quanto questionáveis. E coloquei em minha vida três passos para seguir ao topo da alegria, e de lá não mais sair:

Ame e perdoe! O amor é a saída, o perdão é a solução. Ame quem te ama e não quem te faz sofrer. O sofrimento por alguém que não liga para teus sinceros sentimentos não pode valer à pena. O amor requer muito mais do que sofrer por outro coração, e não existe nada mais lindo e mais feliz do que amar e ser amado. Quem ama perdoa. Perdoa o tempo e o espaço, perdoa o destino por não ter oferecido a você um sentimento tão sincero desde o começo de sua vida.

Não viva preso ao seu passado! E quando alguém te perguntar sobre ele, responda: “eu não vivo mais lá”. Passou, e se um dia teve fim, é porque não era tão eterno quanto um dia imaginou ser. Se te fez feliz, sorria. Se não te fez feliz, sorria por ter passado. Não tente competir com o museu de sua cidade. A vida não é feita de passado ruim, mas sim de boas lembranças.

Leia um livro! Livros são amigos que você não tem. Amigos que não veem a sua cara, e não ligam para seus pensamentos ideológicos, e ainda te munem de conhecimentos e ideias literárias que você não encontra em qualquer esquina. Livros constroem a sua história. A história que irá contar para seus descendentes.

Não viva em vão. Viva de uma maneira especial, para que um dia, quando você partir, todas aquelas pessoas que passaram pelo seu caminho olhem para o céu e digam: “Um dia aquela estrela me fez sorrir”.

26 de fev de 2014

Padroeiro São Francisco






Padroeiro São Francisco
Proteja essa terra, olhe para seus meninos
Os filhos de sua cidade

Deus e a mãe terra
Da cidade fraternal
Contempla os teus filhos
São Francisco de Assis

Homem de lata, que fica lá no auge da cidade
No topo desse solo, no colo de Deus Pai
É de lá que avista os teus filhos
É de lá que alimenta as esperanças
São Francisco de Assis, padroeiro dessa gente

Da Terra vermelha, cidade fraterna
De gente guerreira, de esperanças eternas
Eterna também é a tua fé
Teu alimento aos necessitados
Santo Francisco de Assis

Altíssimo, onipotente e bom Senhor,
A ti subam os louvores, a glória e a honra
E todas as bênçãos desse mundo

Obrigado São Francisco de Assis
Por todo esse amor
E continue abençoando essa terra
Santo Francisco de Assis
Nosso Padroeiro Salvador

7 de fev de 2014

Sonhos, versos e poesias



Lembro bem do meu primeiro verso, olhando para aquela garota de cabelos longos e cacheados, e olhos negros de jabuticaba (lembrando a Capitu de Machado), e interpretei meus autores favoritos, escrevendo em linhas tortas e analfabetas em um pequeno gesto de ternura.

Dali, então, não mais parei de me ver em prosas e em literatura. Não mais parei de pensar naquela donzela, mulher de meus sonhos e poemas, de versos e pensamentos. Passei a me ver nas linhas versadas da vida, e em tudo fiz poesias, rimei as rosas e os espinhos, transformei o tempo em meu livro de composições.

Consegui encontrar em alguns segundos dos meus dias inspirações para escrever. Comecei a entender o sentido das pedras e dos espigões, e me vi a vontade para contemplar as rosas que encontrava pela estrada. Que estrada árdua e longa.

Estou caminhando, por vezes vagamente, lentamente, por vezes rápido demais. Tão rápido que não penso nas consequências e me deixo levar por absurdos cometidos por minhas limitações. Ainda estou caminhando em direção ao amanhã e enxergo a eternidade em cima do pico, o mais alto lugar da vida. Lá que eu quero chegar.

Abri um livro de poesias, que belo livro de poesias. Lá eu me esbaldei; me encontrei,e tomei um novo rumo. Foi naquele tempo o meu primeiro livro de poesias, que continha entre outras palavras, algumas frases sobre a sinceridade do amor, e dizia em entrelinhas a divindade que se espera de quem vive para amar ao próximo.

Escrevi, então, num papel de guardanapo a minha primeira impressão sobre o amor. Que tanta dor ele causa, pois, porque tanto sufoca o amor? Amar é para os nobres, pobres são aqueles que não têm prazer de amar nem olhos de jabuticaba. Esqueci por segundos de adorar a mim, e pensei em tantas pessoas... Tanta família... E que segundos intermináveis.

Os meus pensamentos se transformaram em prosas. Prosas de amizade, entre alma e coração. Foi essa a intenção divina de Deus, descobri. Ele me enviou para amar e seguir o teu mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que este”.

Continuarei caminhando, contemplando em dias chuvosos e de sol o pico mais alto da montanha da vida. Lá estão os sonhos, a realização, é lá que eu vou chegar. E depois, quando eu já estiver extenuado de tanto me entregar aos meus objetivos, vou traçar outros planos e caçar outros picos. Amarei ao próximo em todos os meus segundos e chegarei aonde meus passos quiserem me levar.

8 de jan de 2014

Do amor e outras providências



Calafrios! Foi isso que eu senti: calafrios. Senti calafrios quando o defeito dela chegou ao meu lado. Não foi nada tão normal e bom como eu imaginei que seria, sonhando acordado na noite anterior. Mas, foi seco e fiquei perdido, me perdi do mundo e do tempo, e me perdi em seu perfume, em seu beijo: o meu primeiro beijo.

Acho que ela já era experiente, ao menos demonstrava ser, pois, me deixou sem jeito quando teve a iniciativa que toda mulher ou menina espera de um homem apaixonado. E eu era apaixonado, e mesmo sem saber o que era paixão, eu me cativei por ela. Alguns meses depois, eu a esqueci. Paixãozite aguda, que logo acaba e que nunca passa.

Talvez todas as pessoas desse mundo romântico saberão que o primeiro sentimento bom não dura tanto tempo assim, e é apenas a porta de entrada para o amor, que um dia irá durar para sempre.

Nunca mais a vi. A última notícia que tive daquela primeira paixão foi a de que se casou e se separou, mas casou novamente. Ela com certeza não se lembrará de mim. Mas não me importo, eu me lembro daquele dia em que ela abriu as portas da minha covardia.

Depois de então conheci outros lábios e outros defeitos. Confundi-me entre amizades e namoricos que não eram para acontecer. Suspirei e me entreguei a corações que não mereciam e até derrubei lágrimas por uma solidão desvairada e desesperada. Passou.

Até que encontrei o prometido sentimento eterno, aquele mesmo que ouvi dizer em histórias de contos de fadas e livros que ninguém lê. O amor acontece, e comigo aconteceu lá pelo século passado. Encontrei-a numa festa boba do meu coração, que acordou em um dia nublado e quis-te ter. Desde aquele dia meus conceitos mudaram, e os dela também se esqueceram.

Menina bela, tão bela e inteligente. Conhecia como ninguém os meus segredos, e revelou até as minhas doces artes de enfrentar o mundo sem medo algum. Ela me mostrou que é importante ter medo, pois, o medo te da uma sensação de liberdade, depois de enfrentá-los. Lembrei-me do meu primeiro beijo, na verdade o esqueci. Pois, com ela, eu realmente comecei a viver.

Juntamos os trapos, os corações, as nossas rotinas. Passamos um bom tempo planejando como seria a nossa longa estrada, cheia de flores, pedras, montanhas e pensamentos positivos. Talvez tenha sido esse o nosso combustível para ainda, depois de cinco décadas, conseguirmos nos cativar por nosso olhar.

Não conquistamos tudo o que planejamos, não. Mas, entre todos nossos mirabolantes planos, não constava viver tanto tempo ao lado de uma pessoa. Vivemos juntos. E ela partiu. Não faz muito tempo, talvez 2 ou 3 anos. Talvez 2 ou 3 séculos, ou meses, horas. Talvez ela ainda esteja aqui.

Me conforta saber que irei de encontrá-la em breve, em qualquer lugar por aí. Enquanto isso, eu tento decifrar os pensamentos da atual juventude, que, infelizmente, não sabe o que é ter medos e sentimentos.

Sentei-me na praça, no mesmo lugar onde meu coração festejou a chegada do eterno, ainda na época do preto e branco. Tenho vontade de mostrar registros daqueles dias ao casal de enamorados que está no outro banco, mas aqueles fatos estão guardados apenas em minhas memórias. Certamente o menino de 13 anos e a garota de 12 não irão ouvir um velho romancista do século passado.

Então, deixo que o tempo cure as minhas dores. Deixo que o tempo apresente ao mundo o medo, o primeiro beijo, a paixão, a solidão, a sensatez e o amor, que, para quem ainda acreditar, durará para sempre e depois da eternidade... E depois...E depois...

7 de jan de 2014

O tonto e o homem



Era o tonto e o homem, amigos de vidas vividas, e dessas vidas encontraram um coração. E então, nos tempos de hoje, o homem virou tonto e o tonto agora é homem:

O homem briga, o tonto elogia.
O homem faz chorar de dor, o tonto de amor.
O tonto é simpático, o homem é bruto.
O tonto é tonto, o homem é homem.
O homem não agrada, não orienta e não se preocupa
O tonto é romântico, até nas dificuldades.
O homem não liga para os sentimentos.
O tonto só pensa neles.
O tonto da uma aliança dourada e sorri.
O homem da uma aliança e tira, para não mostrar.
O homem é homem, o tonto não.
O tonto faz de tudo para ver um sorriso.
O homem sorri só por ele.
O tonto ama, o homem engana.
O tonto cuida, o homem nem liga.
O homem é fácil, o tonto é poético.
O tonto faz de tudo, o homem te deixa sozinha.
O homem é tonto, o tonto é homem.
E vice-versa.



6 de jan de 2014

O lado de cá



Olha cá, vem cá
Deixa eu te dizer um Oi
Talvez você melhore e comece a suspirar
Talvez você respire

Deixa que eu te diga um Oi
E te mostro as estrelas
Talvez assim você possa sorrir pra mim
E olhar pra outro canto e fazer amar
De novo, e de novo, te amar

Olá, olha aqui, deixa eu te pedir
Fale pra mim o teu sentimento e o teu pesar
Vou te dizer o tamanho do que eu sinto
Olhe para o mar
E conte comigo cada gota d’água dessa imensidão

Deixa eu te dizer um Oi em cada seu amanhecer
E que tudo se seduza e se transforme
E que tudo se alimente e se destrua
Por seu amor e seu sentimento em mim

Os brasileiros negros não são mais negros



O Brasil e suas muitas peculiaridades, porém, uma delas me chama a atenção: a soberba de boa parte da sociedade. Comprovamos isso quando nos atentamos às diferenças nos olhares entre os povos. “Sou negro e não sou branco. Sou amarelo, não sou branco e nem quero ser negro. Sou branco, olhem pra mim, vim lá de fora e não gosto de outras cores.” Quanta bobagem!

Mal sabem as Marias, os Joãos, os Josés da Silva e Silva, que todos esses, brasileiros legítimos, são de uma só cor e de uma única raça, chamada de diversidade. Distinção que não é fácil de encontrar por esse mundão a fora. Brasileiro não tem cor, tem?

Deve ter, pode ser que tenha. Brasileiro que é do Brasil é negro, negro sofrido, raça humana, imune, vítima da diferença. Brasileiro é fruto dos índios, é pardo, é sofredor, é vítima da injustiça. Brasileiro que é brasileiro, também é branco é descendente de outro canto, é apaixonado pela variedade.

Há alguns dias tive acesso ao estudo "Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População”, e tive a certeza que a raça negra deixou de ser um dos cartões postais do Brasil, como já ouvi dizer.

O Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça, coletou informações em 2008, em uma amostra de cerca de 15 mil domicílios, no Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal. Entre os resultados, destaca-se o reconhecimento, por 63,7% dos entrevistados, de que a cor ou raça tem influência em suas vidas.

Entre as situações nas quais a cor ou raça tem maior influência, o trabalho aparece em primeiro lugar, seguido pela relação com a polícia/justiça, o convívio social e a escola. Dos entrevistados, 96% afirmam saber a própria cor ou raça. As cinco categorias de classificação do IBGE (branca, preta, parda, amarela e indígena), além dos termos “morena” e “negra”, foram utilizadas.

Os negros, em proporção e emoção, são maioria. Outra pesquisa, realizada no mesmo ano pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) me deixou um pouco mais pensativo. A pesquisa dizia que os negros são 70% das vítimas de assassinatos no Brasil. Coincidência?

O estudo disse ainda que a possibilidade de o negro ser vítima de homicídio no Brasil é maior inclusive em grupos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes. A chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos. E essa questão é social ou racial? Não sei a resposta, mas tenho ela na ponta da língua.

Os negros são maioria e representam a nação em diversas culturas, levam o nome do país para todos os cantos. Mas, os brancos e pardos fazem isso também, não fazem? O mais difícil de toda essa situação é tentar fazer com que as pessoas saibam que somos todos iguais. E talvez, um dia, não se assustem ao ver um casal de namorados de cores diferentes. A cor do sentimento é a mesma.

Ah, sou descendente de outra terra, e me conforto ao saber que meus antepassados daqui eram negros. Eu tenho sangue mulato, tenho resistência ao desrespeito. E tenho em mim o ‘maior sentimento do mundo’, seja ele qual for: branco, pardo ou negro.