30 de out de 2013

Uma canção para Iá Iá



Iá Iá
Perderia-a, lá-Iá
Por ser estranho ao esboço de teu mar
Desonesto eu seria, Iá
Se não fizesse a tua parte em meu céu
Sob a imensidão do teu nome
E de teus passos, Iá
Deixei um recado para teu retrato
Um sinal de nós dois
Iá-Iá
Eu mentiria-a você-Iá
Se fingisse ser a tua dor
E provar-te-iria-Iá
Se dissesse que sou o teu amor
Mas, Iá-Iá
Não saia jamais de minha história
E não diga nem ao teu Eu sobre mim
Pois, faz parte de minha canção, a tua memória
Iá-Iá-
Tão tolo seria
Por te esquecer, Iá.

17 de out de 2013

O Analfabetismo Funcional



Determina-se como um analfabeto funcional aquela pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como lê e registra frases simples, porém, é incapaz de interpretar textos e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas, impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional.
E esse tipo de questão envolve muitas outras, que estão ligadas claramente à educação, e não apenas a escolar, mas sim, e principalmente, à educação do mundo, pessoal, cotidiana, uma educação que hoje, infelizmente, sobrepõe os livros e conteúdos relevantes, deixando de lado as raízes culturais, fato inimaginável em outros tempos.

Interessante é pensar sobre o assunto, e a decadência em que vive as palavras de grandes pensadores e autores da nossa literatura. O analfabetismo funcional é o estopim de toda a ignorância desse mundo. É o motivo do voto errado e da palavra dita sem saber.

Durante uma aula de português pode-se constatar a ignorância dos jovens, e a falta que faz a leitura no cotidiano de todos. Enquanto a professora explicava sobre interpretação de texto, dando como exemplo uma crônica de Rubem Braga, alguns alunos não ligavam para o que estava sendo dito. E assim que a profissional pediu para um deles ler uma parte do texto que ilustrava o livro didático, o garoto se enrolou nas palavras e juntava letra por letra, levando alguns minutos para terminar, demorando a formar frases simples, como se fosse uma criança que acabara de aprender a ler.

Eu sei que isso não é nada comparado aos milhões de brasileiros que são analfabetos e sem qualquer ‘funcionalidade’. Porém, o que me indigna são as pessoas que têm a total condição de estudar e ao menos ler um livro ou um artigo no jornal, e não se preocupam com isso. Essa decadência da leitura e conhecimento em nosso país não é culpa do governo, não pode ser.

O governo disponibiliza cartilhas para estudo, aulas até de outros idiomas, e por vezes capacita professores, que com enorme dedicação, transmitem os maiores conhecimentos as crianças e adolescentes. O que falta mesmo é o empenho desses alunos, deixarem de lado o videogame e ler algo com certa relevância.
Porém, a conclusão para esse problema social não é simples e passa por várias questões, começando na educação dentro de casa, como quais os programas de televisão que são assistidos, jogos eletrônicos e acesso a informações pela internet.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o analfabetismo cresceu pela primeira vez desde 1998, onde foram identificadas 13,2 milhões de pessoas que não sabiam ler nem escrever, o equivalente a 8,7% da população total com 15 anos ou mais. Em 2011 eram 12,9 milhões de analfabetos, o equivalente a 8,6% do total. Em 2004, a taxa de analfabetismo brasileira chegava a 11,5%. (UOL educação, acesso em 27 de Setembro de 2013).

O questionamento se faz a partir da análise dos números, considerando o aumento do analfabetismo ao também crescimento da tecnologia e da desvalorização de professores. Talvez os adolescentes de hoje possam alterar essa estatística; talvez eles não consigam entender o tamanho absurdo de tais porcentagens, ou então, eles nem cheguem a ler o final deste artigo.

Kallil Dib – Jornalista


8 de out de 2013

A minha milésima poesia



Engana-se quem imagina que encontrará nas palavras expostas nas linhas deste texto um tom romântico. Mas entende-se, quem já leu ao menos um dos outros 999 textos de minha autoria, que eu não saberia escrever sem adequar às minhas palavras um bom tom de poesia. Pois, eu simplesmente entendo que a poesia deveria reger o mundo, e quem sabe, todas as escrituras expostas por aqui.

Hoje eu escrevi a minha milésima poesia, e afirmo que difícil não é escrever mil poesias, o difícil é ter para quem escrever apenas uma. Vivemos em uma absoluta e absurda comodidade com a leitura, com frases e mesmo com o diálogo cotidiano, o famoso olho no olho, que também não deixa de ser poético. As pessoas não mais se interessam por palavras ditas e nem por flores ganhadas, muito menos por um olhar sincero.

E por que escrever poesias? Não é apenas por mim e para acalmar a minha alma. Não é apenas para expressar o que sinto quando encontro o perfume de minha amada. Não escrevo poesias apenas para demonstrar o meu amor ao mundo. Mas também escrevo frases poéticas num papel qualquer, para fazer alguma pessoa sorrir, e continuo a escrever para fazê-la chorar.

Poesia! Não a encontramos apenas em palavras, mas ela se estende a tudo o que é de mais especial em nossa vida. O Alento se encontra na tempestade e no sol que chega pela manhã. No arco-íris no fim do dia, e no amanhecer da outra estação.

Eu desejo ao mundo metade de minha poesia. Uma parte de meus sentimentos bons e um pouco de meus defeitos. E espero, sinceramente, que todos os que aqui habitam consigam honrar com os meus sonhos e esperanças.

O mundo precisa de uma parte de cada um de nós. A parte boa e linda que vigora um sorriso sincero e um doce desejo de mudança. Somos o sentimento do mundo e um pouco mais que isso: somos poesia, mil e tantas poesias.

Eu não vou escrever mil poesias para ela.
Mas vou a sorrir mil vezes, enquanto ela precisar.

3 de out de 2013

O dia que clareou



Clareou o dia e você sorriu
E saboreou-se e não mais quis ver e ter a solidão
Mas invejou a quem disse ser feliz
Felicidade, onde será que se perdeu
Ela se foi, ela mudou de casa
O dia que clareou te trouxe um novo mundo

E fui embora, chamei a doçura
Grite a esperança
Convidei o amor a ficar
Ele me respondeu
E disse-me amar
Clareou o dia e o meu sorriso
E teus olhos também se afetaram

Nada te trouxe aqui
Foi você que se encontrou
Apenas gostaria que jamais escurecesse de novo
Nem mais um dia, nem mais um medo

E que a lua jogue a inveja lá pro nada
E deixa clarear
Todos os teus santos dias

Quando eu falei de Machado de Assis e José de Alencar



Fui a uma escola perguntar aos alunos se eles conheciam Machado de Assis e José de Alencar. Um dos meninos lá do fundo da sala me respondeu que José de Alencar é o nome do 'Seu Zé' da serralheria perto da escola. E ele não deixa de ter razão, é claro. Assim como a garota estudiosa sentada em frente a carteira da professora, que surpreendeu o resto da sala ao dizer que Machado de Assis era um importante autor brasileiro.

E então eu expliquei aos alunos o porque da minha indagação, em meio aquela aula de português. Apenas queria saber, em resposta ao meu consciente, se os autores literários tão reverenciados em uma estação, tinham caído em esquecimento.

Assim, eu disse a eles que Machado de Assis foi mais do que um 'simples' importante autor. Machado de Assis foi senão mais do que o exemplo de todos os livros didáticos que os seus mestres aplicam em sala de aula. O importante Machado, como descreveu a aluna, viveu em praticamente todos os gêneros literários. Foi poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário.  Ufa! Quem é esse Machado de Assis?!

Mais do que exemplos em livros didáticos, ele é o percussor de todos os outros romances que podem encantar a jovialidade dessa geração. Machado de Assis é pai dos poemas de 1800, é pai celestial de todas as Letras destes folhetins. É mais do que uma descrição.

Alguns meninos riram, outros dormiram. Algumas meninas desconversaram, outras mexeram em seus celulares. E a menina da frente fez outra indagação: "E o José de Alencar?".  E eu a respondi, esquecendo os outros alunos desinteressados.

Eu disse a ela que o José de Alencar é um livro a parte. É um capítulo inacabável na história da arte poética desse mundo. Esse era culto, tão quanto a sociedade daquela época. Foi jornalista, político, advogado, orador, crítico, cronista, polemista, romancista e dramaturgo. Ufa! Esse foi José de Alencar!

Certamente, ou não, serviu de inspiração para o batismo do 'Zé Serralheiro', citado pelo garoto que já não estava mais na sala de aula. O José de Alencar original foi o Pai de O Guarani, uma das mais belas obras literárias dessa humanidade, que foi desenvolvida em princípio em folhetim, entre os meses de fevereiro e abril de 1857, no Correio Mercantil (jornal daquela época).

Aquela garota da primeira carteira se animou. Perguntou mais e mais desses autores e de outros e outros, enquanto a professora sorria orgulhosa em sua direção e os seus colegas de sala se desesperavam, pois a hora do sinal de partida demorava a chegar.

Depois de pouco tempo ali eu já conseguia responder a meu consciente sobre a questão do esquecimento de autores consagrados em alguma época. E a resposta era a que eu esperava: Assis e Alencar não eram tão referenciados.

Mas saí daquela sala de aula com um sorriso no rosto, como o de um mero e pequeno jornalista desse mundo, que é tão animado quanto sonhador. Saí daquela escola com a esperança de que a garota da primeira carteira irá contagiar os seus colegas de sala com contos e prosas de tantos autores literários que infelizmente sumiram das bibliotecas.

1 de out de 2013

Velhos adoram gatos





Como é difícil o fim da vida. Permanecer sentado e a pensar em tudo o que já se passou durante os anos, tentando em vão mudar alguma cena, algumas palavras e tantas pessoas. Em certas histórias nada valeu à pena, as estações passaram como dias e noites, os anos voaram como os sorrisos sinceros, e já se planeja um lugar ao céu.

O fim da vida remete às mais honestas sensações de tranquilidade, esperando, numa cadeira de balanço na varanda daquela casa afastada da cidade, a luz do fim aparecer. Sensações que desaparecem em algum tipo de emoção. As mãos limitadas e calejadas, e os cabelos brancos que relatam experiência, são sensações de que a intensa vontade de viver não foi mero costume.

É perto do fim que se percebe onde aconteceram os erros e acertos, e define-se que bem aventurada é aquela pessoa que passa pelo mundo com maestria. E um sorriso solitário, em meio ao nada, significa um tempo a mais para viver. Os amores que passaram fazem falta, principalmente em dias frios.

No fim desse mundo é que se percebe onde residiram as suas amizades, e o quanto significa as suas ausências. Aquelas que moraram durante todo tempo em seu coração e outras que permaneceram apenas em certos momentos. Nessa vida, e no final dela, é que se entende o tanto de importância que uma amizade te representou. A amizade é tudo, inclusive lembrança, saudade.

Antes de perguntar a um Senhor sobre o que ele acha da vida, resolvi questioná-lo sobre a morte. Ele me disse que a morte tem dele apenas o perdão e a vida tem a sua eterna gratidão.
Eu, admirado com sua resposta e um tanto impressionado, aprofundei-me no tema. Ele então me explicou metade de sua existência, desde o primeiro minuto em que ele lembrou existir.

O Velho me ensinou sobre as amizades. Sobre livros e sobre flores. Me falou sobre os teus momentos felizes e as lágrimas que um dia insistiram em cair. O Senhor, de tantas décadas vividas, terminou a sua prosa acariciando um gato que considerava ser o seu melhor amigo.

O gato não tinha nome. E atendia a qualquer chamado. Curioso sobre a existência desse bichano eu perguntei ao Velho o porquê, depois de tanto tempo de amizades e amores, um gato se transformou em seu melhor amigo.

Ele meramente me respondeu:
- Velhos adoram gatos, eles não abandonam ninguém, muito menos no fim da vida.