quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pétalas de saudade



E sucumbiu às pétalas que voaram
Pois apenas queria amar, e amou.
Mas, a vida e os amores... Passaram.
Ficou apenas a saudade, e a vontade de voltar
Para ser feliz novamente, para sorrir e abraçar o mundo.

Mas não o fez, não podia, era tarde
Tarde para dizer consegui, desisti
Tarde demais para conhecer outros olhos
E dizer, tão certo, que encontrou a calmaria.

Caminhava indolente por terras e pedras
Pensativo, sonhava com os tempos de curvas
Curvas de felicidade, que se desenhavam em um sorriso.

Em um sonho tão distante, seu coração foi buscá-la
Com as lágrimas de chuva que marcavam o seu rosto
Sucumbiu às pétalas que voaram de suas mãos
E nunca mais foi feliz, como um dia ela o fez.

Saiba amar



É importante ser bobo, sentir ciúmes...
E amar.
É admirável demonstrar um sentimento, sem qualquer propósito...
E receber um sorriso de gratidão.
É essencial sentir o perfume doce
Dizer palavras de novela, sem sequer saber se está ouvindo...
E amar.
Olhar nos olhos, e entender o silêncio.
Afagar as lágrimas, e embarcar nas euforias.
Deve-se beijar, espontaneamente, sem motivos.
E amar.
É importante viver, duas vidas.
Sem ligar porque, pra que, o que.
Descobrir a felicidade e inventar o novo.
É importante errar, e reconhecer.
E amar.
É formidável entender:
Que sonhar é preciso, e um abraço é abrigo
Que as palavras nunca são em vão
E um olhar sincero deixa saudades.
É lindo saber:
Que se for amor, é pra vida toda.
Sinta ciúmes, fale com os olhos, demonstre o amor
E sinta a alegria de receber um sorriso como gratidão.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Um retrato envernizado e um muro demolido



O muro caiu, o esquecimento também, junto com o garoto, que Deus o tenha. Mas de quem é a culpa? Se é que podemos pensar em culpa. Estou falando do caso que abalou quem quer que tenha uma essência humanitária.


A história não foi muito bem esclarecida, os fatos não foram exatamente descritos como deveriam, a revolta prevaleceu, e o que ficou foi apenas um retrato numa linda moldura envernizada.

Para quem não se lembra, foi numa peripécia de menino, que todos julgaram ser normal, que tudo aconteceu. Na manhã habitual, depois da prova de geografia, um grupo de amigos resolveu dar um pulo na aula de educação física da outra turma, literalmente.

Os portões que davam acesso a quadra poliesportiva da escola estadual estavam trancados, como sempre ficaram, e como deveriam sim ficar, e se estavam fechados era por alguma razão.

A solução encontrada pelos jovens foi pular o portão, ato costumeiro e que se passa por gerações naquela escola, como em qualquer outro colégio onde tenham jovens rebelados e instruídos por essa sociedade, que acha tudo natural.

A escola é antiga, o prédio também, e há tempos que alguns pontos dali precisam de uma reforma. Inclusive o muro, que sustentava justamente o portão que seria escalado pelos garotões do ensino médio. E o final dessa história já se sabe: nem todos passaram para o outro lado e a aula de educação física, acabou. O muro, ancestral e vacilante, não aguentou e desabou, junto com um dos adolescentes, que faleceu.

No mesmo dia começaram as especulações. Pessoas foram acusadas, protestos feitos, besteiras faladas, tudo com a emoção, antes da razão, se é que a razão existe. Mas se não existe, alguns pontos importantes e que passaram em branco devem ser analisados e discutidos por quem ao menos se interessa por veracidades. E já que aqueles que clamaram justiça e se sentiram tão poderosos a ponto de julgar e apontar culpados e degenerados, “esqueceram-se” do assunto, é relevante lembrar-lhes.

Não existe culpa. É inútil falarmos em algum responsável por uma tragédia desse nível. Apenas podemos pensar em determinadas consequências que levaram tudo isso a acontecer: não é exagero falar que burlar o sistema imposto pela escola, pulando o portão, não se aprende dentro da sala de aula, muito menos afirmar que isso se passa sim pela educação, e não a educação escolar.

Ouvi, na época, que a escola é a principal culpada. Não, não é. Se falarmos da escola, vamos nos referir ao estado, e a estrutura da educação no estado de São Paulo... Bom, produziria um livro.

Os jornalistas não puderam ter acesso às informações necessárias e às evidências concretas para afirmarem o que realmente aconteceu, portanto, tudo foi relatado com base nos depoimentos de amigos emocionados da vítima e diretores revoltados, e ao mesmo tempo assustados, do colégio. O que é verdade?

Apenas que as lembranças ficaram, os dias passaram, e a tristeza não vai embora.

E o muro, o menos culpado de tudo isso, demoliram semana passada. Tarde demais, na minha modesta opinião.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Que seja por amor



De que vale a vida sem o seu amor
O paraíso sem as suas palavras de dolência
O que é o mundo sem os teus lábios, labirintos como a música diz?
Vida, sem você, é vida?

Diz-me então como decifrar as fases do meu coração
As loucuras fabricadas de quando te vê
Atos impensados, beijos molhados, chuva tomada
Lágrimas e dor.

O que é pensar, sem pensar em ti?
Sonhar, sem poder te ter?
O que é o futuro sem você aqui?
Sem teus olhos e seu perfume doce.

Explique-me o arrepio de minha pele
O delírio do meu coração
A lentidão da estação, ao te encontrar
E o meu intenso desejo de felicidade.

Explique-me o destino
E conte comigo cada gota de água do mar
Saberá assim, a imensidão do meu amor
Ou ainda precisará de um dilúvio.

De que vale a morte, se não for por você?
Uma palavra se não for por ternura?
De que vale tudo, o mundo
Se não for apenas para te descobrir?

Entenda, então, que és tudo enfim
É vida, eternidade, idolatria
É a saudade que um dia vai me consumir
Quando o pra sempre chegar
Quando, por amor, eu partir.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Bela


Indóceis belezas
Céu cinzento, chuva caindo
Costumeiro sol, final de tarde
Beijo no rosto, aperto de mão, adeus.

Estrelas lindas, ruas claras
Lua nova, minguante, trovoadas e desespero
Passos largos ao vento, e o vento tão louco
Rápido, forte, passageiro.

Cama vazia, meio gelada, dor de amor
Amor que se foi, e levou um coração
Saudade de olhares e perfumes
Cantos e vozes de malícias.
Sorrisos em vão, rosetas, dias inteiros a esperar

Por do sol, e as montanhas ganham vida
Os sentidos se abastardam e as lágrimas tocam o chão.

O tempo passa arrastado, o mundo gira lentamente
E os sonhos são deixados de lado.

Bela, a aguardar:
A morte, a dor,
O encontro, o paraíso,
A vida, o sorriso.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Lágrimas de camomila



Naquele campo de violetas que se destacavam as mais belas rosas
Por você eu derrubei lágrimas de camomila, misturadas com emoção
E ainda perguntei se estava bem.

Bem com o seu coração um tanto esquecido
Com o seu amor de infância que se foi com o tempo
Ou mesmo com a sua vida, essa que está vivendo
Deixando passar as ruas que um dia te fizeram sorrir.

Perguntei tão sóbrio e indolente
Por que ainda me chamavas de amor
E você respondia com olhos lacrimejados.

Assim eu te abracei, esperei você respirar
E num suspiro tão instintivo, eu sorri
Sorri com o seu perfume de macela
Que afagava as angústias que a vida me mostrara
E me fazia acreditar na perfeição.

Abri os olhos por engano
Senti suas mãos a me agradar
Pensei nos sonhos que sonhei em dias de chuva
Nas lágrimas que caíram em dias nublados.

E você, na sentença da vida me fazia confiar
Que tudo é perfeito, até amores de infância
E amores para a vida toda, como esse que nos une.
Por você derrubo lágrimas de camomila, misturadas com uma dose exacerbada de esperança.


Apenas quero dizer que te amo



Um dia disseram que três palavras demonstram o amor, não concordo.
Não sei apenas dizer que eu te amo, só sei demonstrar o amor.
Não sei falar em amor e não sentir lágrimas querendo encontrar o chão.
Não sei dizer que és a minha vida, sem provar que é a minha vida.
Não sei falar em vão que o amor existe e que está em mim.
Nem sei, ao menos, gastar o meu tempo te explicando o que sinto por você. Basta olhar pra mim...
E assim verá, que o que digo, não são apenas simples palavras.
Verá que os meus gestos não são para te agradar, são espontâneos.
Você vai ver que cada montante de palavras 'bonitas' que saem da minha boca, são mandadas pelo coração.
Basta olhar bem no fundo dos meus olhos, a cada momento de angústia ou de felicidade, que assim vou te provar que é a mulher da minha vida, aquela que dedico todas as frases sinceras que um dia disseram representar o amor.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

E que venha a próxima primavera


As vezes, ao pensarmos no futuro, devemos nos desprender de algumas coisas: passagens da vida, sorrisos que se perderam, lágrimas que caíram em vão, ou palavras que o vento levou.


Devemos nos desligar do passado e saber que o destino nos espera. Apenas subtrair as coisas boas, que nos fizeram acreditar que hoje estaríamos a...qui.

As vezes devemos reservar um tempo para realizar nossos sonhos e vivermos a nossa felicidade como se o mundo fosse perfeito, por mais que ele prove ao contrário. Devemos apenas viver, por nós, e sorrir, para dar aqueles que nos amam o prazer da nossa felicidade.

Precisamos almejar um ano bom, e manter os pés no chão, tendo a certeza de que vamos enfrentar pedras e espinhos, mas que não vamos esquecer-nos do perfumes das flores.

E que todos os sonhos e ambições não fiquem apenas em lembranças, e tudo o que foi construído por nossos pensamentos, o coração deduza.

Vamos nos entregar, com o corpo a alma e a razão, e nos convencer, dia a dia, de que a melhor escolha da vida é viver.

Agradeça tudo o que recordar, pois não foi em vão.

Ame quem provou que te ama, pois essa pessoa jamais te deixará só.

Faça do próximo ano o melhor da sua vida, mas tente superá-lo, nas suas próximas primaveras.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um recado ao coração


Olá, coração partido, por que estás tão carente?

Pois a vida de inocente se passou entre seus dedos

Seus medos e receios indolentes ficaram perdidos por aí?

Por que você não obedece a razão? Se a razão está acima de você.

Coração machucado, por que se machucou?

Não ousou em pensar nas consequências, e caiu.

Agora estás assim, chorando.

Não chore coração, aprenda:

Nada é em vão, nem mesmo os erros

Não se arrependa, mas tenha coragem de voltar atrás.

Coração, desvairado e desesperado, viva.

Deixe que essa ferida cicatrize

E que os sonhos te dominem

Deixe alguém te acariciar e tomar conta do seu espaço

Isso coração ferido, pulse.

Tão calmo rápido e maleável

Tão lindo próprio e sensível

Não reprima suas vontades, não tenha medo

Não compare o presente ou futuro com os defeitos de ontem, coração.

Se entregue, tão intensa e sinceramente para que eu não te reconheça.

Reluzem em meus olhos os seus sentimentos e me conduza à tão sonhada felicidade.

Aprenda comigo os segredos da vida, e continue a amar esse amor que há tempos procurava.

Esse amor, que um dia pensou não existir, mas que encontrou:

Por esse destino indeciso, entre o futuro que, com sorrisos e lágrimas, conseguiu construir.

O natal dos tempos modernos


Na minha época natal era outra história: todos ficavam esperançosos com os reencontros familiares, esperando novidades, abraços e emoção. O presente ainda era surpresa, ainda acreditávamos em Papai Noel.

Quando o último mês do ano começava o tempo parecia andar bem devagar, as crianças se sentiam livres das obrigações e tarefas escolares, os adultos corriam atrás de bonecas e carrinhos de brinquedo. Era tempo de sonhar.

Como era bom ver a família reunida na sala de estar, decorando a casa com enfeites, avivando tudo com luzes coloridas, arrumando num cantinho estratégico um lugar especial apenas para colocar a linda árvore de natal.

Era tempo em que a verdadeira razão disso tudo fazia sentido, o nascimento de Jesus era lembrado e ressaltado por cada família. Antes das festividades uma união em volta da mesa, uma oração puxada pelo pai, palavras bonitas, de afeto e carinho, sentimento diferente, emoção misturada com muita alegria.

Triste pensar que tudo isso passou.

Agora é outra coisa. Me aventurei a perguntar para um adolescente se ele sabia o verdadeiro significado natalino, como esperado a resposta foi um silêncio. Certamente mais tarde o garoto procurou no Google a resposta para tal pergunta.

É diferente saber que os carrinhos de madeira e as bonecas de pano não fazem mais sucesso, saber que essa era digital ultrapassa até os limites do natal. Qual é o jovem ou a criança que não quer um IPod, notebook, videogame? Qual dessas trocaria a tecnologia por bolinhas de gude ou uma casa da Barbie?

Agora as incríveis luzes de natal que enfeitavam toda a vizinhança não são facilmente encontradas. Sou do tempo em que se via na TV uma disputa da melhor decoração natalina, hoje as luzes que decoram os céus são outras: tiros pra cá e pra lá.

Naquelas ruas de terra as crianças saiam para brincar de pique - esconde e pega-pega, enquanto os responsáveis preparavam a deliciosa ceia da meia noite. Ficaria surpreendido naqueles tempos se a diversão fosse polícia e ladrão, mais ainda em ver a criançada disputar quem seria o ladrão, tornando este o seu ídolo incontestável.

Festas, bebidas e curtição se tornaram os anseios dos adolescentes para essa data. Na minha infância o natal era esperado por todo ano, as semanas que antecediam o dia 25 se tornavam especiais. Assistiamos a filmes natalinos sem cansar e arrumávamos num canto da mesa biscoitinhos e um copo de leite para a chegada do senhor de barbas brancas.

É tão estranho ver que tudo isso mudou, que as famílias já não se importam e que a emoção de se viver um dia de natal está acabando.

É diferente de tudo o que vivi, e olha que não faz tanto tempo assim.

Feliz Natal, como nos velhos tempos.

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